11 de Junho

 

O Cálice

Leia-> Mateus 26:36-46
...A tristeza que estou sentindo é tão grande que é capaz de me matar...(v.38).

        No Jardim do Getsêmani Jesus afirmou: ‘...A tristeza que estou sentindo é tão grande, que é capaz de me matar...” (Mateus 26:38). Ele já tinha passado longas noite falando e encontrando forças em Seu Pai. Mas esta noite era diferente. A angústia o assolou. Por três vezes se levantou para buscar Seus discípulos. Ele não conseguia desfrutar da doce comunhão com o Pai, a qual tinha experimentado através da oração, pois sabia que breve Seu Pai o deixaria. Isto fazia parte do “cálice” que temia.
      Por muitos anos achei que o “cálice” que Jesus temia era somente a crucificação. É horrível até pensar em dor tão excruciante. Sêneca, escritor romano retórico, descreveu desta forma: “Podemos encontrar alguém que preferiria definhar-se na dor, morrendo aos poucos, ou deixar que sua vida se dissipasse gota por gota, em vez de expirar-se de uma vez por todas? Podemos encontrar algum homem disposto a ser amarrado ao tronco maldito, repugnante, já deformado, dilatando-se pelas duras chicotadas nos ombros e peito, e expirando o fôlego de vida em meio à longa e interminável agonia?”
      No entanto, a dor física não é a única razão por Jesus ter pedido libertação ao Pai. A percepção de que a Sua comunhão com o Pai seria desfeita quando Ele levasse os pecados do mundo sobre si, também o levou a clamar por ajuda. Se fosse apenas o sofrimento físico, o medo, ao invés da tristeza, seria a emoção mais apropriada para o Mestre.
       Quando Jesus disse ao pai, “...que não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres” (v.39), Ele escolheu suportar toda dor e vergonha que o esperava – abandonado e sozinho.
      Às vezes nos incomodamos mais pelo desconforto físico do que por estarmos distantes de Deus. A experiência de Jesus no Getsêmani nos ensina a valorizar o nosso relacionamento com Deus mais do que qualquer coisa, até mesmo a dor.
- Poh Fang Chia