Regeneração de novo nascimento: Preciso nascer de novo?

 

Na teologia reformada, o termo regeneração, equivalente a “nascer de novo”, é um termo técnico que se refere à revitalização que Deus opera numa pessoa implantando em seu interior novos desejos, propósitos, bem como a capacidade moral que conduz a uma resposta favorável ao evangelho de Cristo. A palavra “regeneração” é derivada do termo grego palingenesis que é usado apenas duas vezes na Escrituras. Em Mt 19.28 Jesus se refere a uma “renovação” do universo em sua segunda vinda como palingenesis. Nesse caso, o termo indica uma “segunda gênese” ou “segundo começo” para o universo, e não a renovação individual que costuma ser associada ao termo teológico “regeneração”. Na outra passagem, Paulo descreve o batismo como “o lavar regenerador” (Tt 3.5). Apesar de haver quem considere essa expressão uma referência à recriação dos céus e da terra que se completará quando Jesus voltar, tradicionalmente entende-se que Paulo está falando de uma regeneração individual da pessoa batizada. Foi esse sentido posterior que os teólogos adotaram para o uso técnico do termo.
     Jesus ensinou esse conceito a Nicodemos quando disse, “ se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3), indicando uma transformação muito mais profunda do que aquela exigida dos judeus para receber a vida eterna. A expressão grega traduzida como “nascer de novo” também pode significar “nascer do alto” (veja as notas sobre Jo 3.3,7). É bem provável que Jesus tivesse os dois sentidos em mente. Por um lado, aqueles que estão mortos em pecados precisam receber uma vida nova pelo “ nascimento espiritual”; num certo sentido, portanto, passam por um segundo nascimento. Por outro lado, assim como Jesus veio do céu (Jo 3.13), aqueles que entram no reino devem receber vida do Deus que está no céu (Jo 3.3,7). Como João expressa em outras passagens, precisamos  “nascer de Deus” (veja Jo 1.13; 1Jo 3.9; 4.7; 5.1,4,18). Esse novo nascimento realizado pelo Espírito (Jo 3.8) vivifica as pessoas para as coisas de Deus e lhe dá uma nova vida para servir a Cristo.
     De qualquer modo, podemos pensar na regeneração e em “nascer de novo” de modo bastante semelhante ao conceito neotestamentário de nova criação. A nova criação é uma realidade objetiva concretizada por Cristo. Quando inivíduos são ligados a Cristo pela fé nele, tornam-se parte da nova criação (2Co 5.17). Assim como Jesus falou da regeneração (“renovação”) do universo (Mt 19.28), é apropriado faalr da regeneração (“renascimento”) daqueles que estão em Cristo.
    A visão reformada da regeneração pode ser destacada de outros pontos de vista em pelo menos dois sentidos. Primeiro, do catolicismo romano tradicional, segundo o qual a regeneração batismal. A teologia reformada afirma que a regeneração pode ocorrer em qualquer momento da vida de uma pessoa, até mesmo ainda no ventre materno ( CFW 10.3) e, portanto, não é o resultado automático do batismo (CFW 28. 1,6).
      Segundo, de outros ramos evangélicos da igreja para os quais o arrependimento e a fé conduzem à regeneração (isto é, as pessoas nascem de novo somente depois de exercitarem a fé salvadora). A teologia reformada, por outro lado, ensina que o pecado original e a depravação total privam todas as pessoas da capacidade moral e vontade de exercitar a fé salvadora. Por esse motivo, a regeneração antecede o arrependimento e a fé salvadora. Sem a regeneração, não podemos ver o reino de Deus (Jo 3.3). Depois que nascemos de Deus, recebemos a capacidade de crê em Cristo e segui-lo. A regeneração é realizada inteiramente por Deus o Espírito Santo – não há nada que possamos fazer para obtê-la.  Somente Deus ressuscita os seus eleitos da morte espiritual para a vida nova em Cristo (Ef 2.1-10). A regeneração é uma obra miraculosa de Deus que nos leva á fé consciente, intencional e ativa em Cristo.